Crédito do Trabalhador com FGTS: Guia Completo para CLT em 2026

O Crédito do Trabalhador com garantia FGTS é a modalidade de empréstimo consignado mais barata disponível para trabalhadores CLT em 2026. Com a Portaria MTE nº 1.115/2026, em vigor desde 26 de junho, quem tem carteira assinada pode usar o saldo do FGTS e as verbas rescisórias como garantia — e com isso acessar crédito com taxa máxima de 1,99% ao mês, contra uma média de 3,4% ao mês cobrada pelos bancos no consignado sem garantia. Este guia explica quem pode contratar, como funciona na prática, quanto dá para pegar e o passo a passo pela Carteira de Trabalho Digital.


O que é o Crédito do Trabalhador?

É o consignado privado para trabalhadores CLT — as parcelas são descontadas diretamente na folha de pagamento, o que reduz o risco do banco e permite juros mais baixos do que no crédito pessoal comum. O programa foi criado pela Lei nº 15.179/2025 e já acumulava mais de R$133 bilhões em contratos e 10 milhões de trabalhadores atendidos antes da novidade de junho de 2026.

A novidade de junho é a camada de garantia com FGTS e verbas rescisórias: o trabalhador passa a oferecer parte do saldo do FGTS como garantia real, o banco assume menos risco e, em troca, o governo regulamentou um teto de juros bem mais baixo — 1,99% ao mês no máximo.

💡 Por que 1,99% é muito bom? O crédito pessoal comum cobra em média 8% a 10% ao mês. O cartão rotativo chega a 15% ao mês. Até o consignado CLT sem garantia cobrava em média 3,4% ao mês. Com o FGTS como garantia, você tem acesso ao crédito mais barato da história do trabalhador CLT privado.

Quem pode contratar?

Trabalhadores CLT do setor privado
Qualquer empregado com carteira assinada, vínculo ativo no eSocial e margem consignável disponível.
Empregados domésticos
CLT Doméstica com CTPS assinada e FGTS recolhido mensalmente pelo empregador.
Trabalhadores rurais com CTPS
Com carteira assinada e FGTS recolhido normalmente.
Servidores públicos
Têm modalidade própria de consignado (federal, estadual ou municipal) — não se enquadram no Crédito do Trabalhador.
MEI como empresário
O MEI como dono do negócio não tem FGTS e não se enquadra. Mas o funcionário registrado pelo MEI pode contratar normalmente.
Trabalhadores informais ou autônomos sem CTPS
Sem vínculo empregatício formal e sem FGTS, não há elegibilidade para esta modalidade.

Como funciona a garantia com o FGTS?

A garantia é opcional — você decide se quer oferecer o FGTS para ter acesso à taxa mais baixa. Veja o que pode ser usado como garantia:

Tipo de garantia Limite que pode ser usado Quando é acionada
Saldo da conta FGTS Até 10% do saldo Demissão sem justa causa
Multa rescisória (40%) Até 100% da multa Demissão sem justa causa
Verbas rescisórias (salário, férias, 13º prop.) Até 35% das verbas Demissão sem justa causa
✅ O FGTS não sai da sua conta: O saldo permanece depositado na Caixa Econômica Federal e continua rendendo. Uma parcela fica bloqueada para saque enquanto houver dívida ativa — mas só é usada de fato para quitar o empréstimo se você for demitido sem justa causa. Emprego ativo = parcelas descontam normalmente do salário, FGTS intocado.

Taxas de juros em 2026

Crédito pessoal comum

8–10%

ao mês

Consignado CLT sem garantia

3,4%

ao mês (média)

Crédito do Trabalhador com FGTS

1,99%

ao mês (teto)

O CET (Custo Efetivo Total, que inclui taxas administrativas) tem teto de 2,99% ao mês para a modalidade com garantia. Bancos concorrentes podem oferecer taxas abaixo do teto — compare antes de assinar.


Quanto posso contratar?

O limite é calculado pela sua margem consignável: no máximo 35% do salário líquido pode ser comprometido com parcelas. Veja uma simulação por faixa de salário:

Salário líquido Parcela máxima (35%) Empréstimo aprox. em 24x a 1,99% Economia vs. 3,4%/mês
R$1.621 (salário mínimo) R$567 ≈ R$9.700 ≈ R$1.700
R$2.000 R$700 ≈ R$12.000 ≈ R$2.100
R$3.000 R$1.050 ≈ R$18.000 ≈ R$3.100
R$5.000 R$1.750 ≈ R$30.000 ≈ R$5.200

Valores aproximados para 24 meses à taxa máxima de 1,99%/mês. A economia é calculada em relação à taxa média de mercado sem garantia (3,4%/mês). O prazo e o valor real dependem de cada banco.


Onde contratar?

Mais de 80 instituições financeiras participam do programa. Os principais:

Bancos públicos
Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil
Bancos privados tradicionais
Bradesco, Itaú, Santander
Bancos digitais
Nubank, Inter, C6 Bank, Agibank, BMG, PAN
💡 Dica: Pela Carteira de Trabalho Digital, você recebe propostas de múltiplos bancos ao mesmo tempo e pode comparar — sem precisar ir a nenhuma agência. Pela CTPS Digital, a garantia FGTS pode cobrir 100% do valor do empréstimo, o que amplia o acesso mesmo para quem tem score baixo.

Como contratar — passo a passo pela Carteira de Trabalho Digital

1
Baixe o app Carteira de Trabalho Digital
Disponível gratuitamente na App Store (iPhone) e Google Play (Android). Faça login com sua conta Gov.br — o mesmo acesso do Meu INSS e outros serviços do governo.
2
Acesse “Crédito do Trabalhador”
No menu do app, toque em “Crédito do Trabalhador” e selecione “Simular empréstimo com garantia FGTS”.
3
Informe o valor e o prazo desejado
O sistema já conhece seu salário e saldo FGTS pelo eSocial — calcula automaticamente a parcela máxima disponível para você.
4
Receba propostas de vários bancos
Em até 24 horas, as instituições financeiras participantes enviam propostas com taxas e condições diferentes. Compare pelo menor CET (Custo Efetivo Total), não apenas pela taxa mensal.
5
Escolha a melhor proposta e assine
Tudo digital, sem precisar ir a uma agência. A assinatura é feita pelo próprio app com autenticação Gov.br.
6
Dinheiro cai em até 24–48h
Após a assinatura digital, o crédito é depositado na conta indicada. As parcelas passam a ser descontadas da próxima folha de pagamento.

O que acontece se eu for demitido?

É a dúvida mais comum — e a resposta depende do tipo de desligamento:

Demissão sem justa causa (mais comum)
O banco executa a garantia: usa a multa rescisória (40% do FGTS), até 10% do saldo e até 35% das verbas rescisórias para quitar ou reduzir o saldo devedor. Se cobrir tudo, a dívida está encerrada. Se restar saldo, você deve o restante.
Pedido de demissão voluntária (cuidado)
A garantia FGTS não é acionada — não há multa rescisória. A dívida continua existindo e precisa ser paga. Se você pede as contas sem ter como pagar o saldo devedor, o banco pode negativar seu CPF.
Novo emprego
O contrato continua normalmente. As parcelas passam a ser descontadas pelo novo empregador (portabilidade automática de consignado). O FGTS bloqueado permanece até a quitação total.
⚠️ Atenção para quem está no Saque-Aniversário do FGTS:

Quem optou pelo Saque-Aniversário já tem parte do saldo comprometido anualmente. Ao usar o FGTS também como garantia do Crédito do Trabalhador, o saldo disponível pode ficar ainda mais restrito. Avalie bem antes de contratar as duas modalidades ao mesmo tempo.

Perguntas Frequentes

Preciso ter saldo mínimo de FGTS para contratar?

A lei não define um valor mínimo. Para usar o FGTS como garantia e ter acesso à taxa de 1,99%, é necessário ter saldo na conta vinculada. Quanto maior o saldo, maior o valor garantido e, potencialmente, maior o crédito aprovado.

Quem tem nome sujo ou score baixo pode contratar?

A garantia FGTS facilita a aprovação para quem tem restrições, pois reduz o risco do banco. Mas não é aprovação automática — cada instituição tem sua política de crédito. Vale simular pela CTPS Digital para receber propostas de múltiplos bancos ao mesmo tempo.

A taxa de 1,99% é garantida para todo mundo?

Não. 1,99% é o teto máximo regulatório para a modalidade com garantia FGTS. A taxa real de cada banco pode ser menor. Mas também pode ser maior do que a propaganda sugere se incluir tarifas — por isso compare sempre o CET (Custo Efetivo Total), não só a taxa mensal.

O MEI pode contratar?

O MEI como dono do negócio não tem FGTS e não se enquadra. Mas o empregado registrado pelo MEI — com carteira assinada — pode contratar normalmente, pois tem FGTS recolhido mensalmente.

Já tenho consignado CLT. Posso migrar para a taxa de 1,99%?

Sim, via portabilidade. Você pode portar seu contrato atual para um banco que ofereça a modalidade com garantia FGTS — desde que tenha margem disponível e saldo de FGTS. A portabilidade é gratuita e o banco novo é quem contata o banco atual.

Qual é o prazo máximo?

Não há prazo único definido em lei para o CLT privado. Na prática, os bancos oferecem de 12 a 96 meses, dependendo do perfil do trabalhador. O prazo máximo disponível para cada trabalhador é mostrado na simulação pela CTPS Digital.